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sábado, 5 de outubro de 2013

... "estou quase, quase a chegar"

(...) Decidi! Está decidido! Vou sair. Vou pintar os olhos, espalhar a sombra de cor escura, desenhar com pulso incerto dois riscos de eyeliner castanho, um em cada olho e agora o rimmel com muito cuidado, ao mesmo tempo aplicado com vigor, pestanas que se inteiriçam, olhos no ar, presos no ar, enfeitiçados no ar que me envolve, um pouco de blush que me faz feliz, nas bochechas altas, linda, sim estou linda, interessante, eu diria, são os olhos que realçam, escada abaixo, são somente dois andares e escapam-se-me os degraus, vou saltando dois a dois, o espelho ficou para trás, tudo num desalinho, o sofá desarrumado, a janela escancarada, o rio já a querer entrar, o tal cheiro a dissipar, vem a onda e mais a onda, atravesso agora a rua, entro no meu próprio carro, toda a roupagem da água vem a mim a marulhar, desato a gritar por ti, estou quase, quase a chegar, espera por mim, espera, espera, tu que estás bem por aí, sentado no paredão, mesmo assim em frente ao mar.

Cristina Carvalho em "Amar Sem Limites"


 


http://youtu.be/5lg_LbxA2UE

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"O Mensch, bewein' dein' Sünde groß" BWV 622 - Johann Sebastian Bach

No seu novo livro "The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains" o escritor norte-americano Nicholas Carr examina a história da leitura e a ciência de como o uso de diferentes mídias afeta nossa mente. Explorando como a sociedade passou da tradição oral para a palavra escrita e depois para a internet, ele detalha como nosso cérebro se reprograma para se ajustar às novas fontes de informação. Ler na internet mudou fundamentalmente a forma como usamos nosso cérebro.
A quantidade de textos, fotos, vídeos, músicas e links para outras páginas combinada com incessantes interrupções na forma de mensagens de texto, e-mails, atualizações do Facebook, tweets, etc fez com que nossas mentes se acostumassem a catalogar, arquivar e pesquisar informações. Desta forma, desenvolvemos habilidades para tomar decisões rapidamente, especialmente visuais. Por outro lado, cada vez lemos menos livros, ensaios e textos longos – que nos ajudariam a ter foco, concentração, introspecção e contemplação. Ele diz que estamos nos tornando mais bibliotecários – aptos a encontrar informações de forma rápida e escolher as melhores partes – do que acadêmicos que podem analisar e interpretar dados.
A ausência de foco obstrui nossa memória de longo prazo e nos torna mais distraídos. "Nós não nos envolvemos com as funções de interpretação de nossos cérebros", diz. Ele ainda afirma que, por séculos, os livros protegeram nossos cérebros de distrações, ao fazer nossas mentes focalizarem um tema por vez.
Com aparelhos como o Kindle e o iPad, que incorporam dispositivos digitais de leitura, tornando-se comuns, Carr prevê que os livros também mudarão. "Novas formas de leitura requerem novas formas de escrita". Se escritores suprem a necessidade crônica de uma sociedade distraída, eles inevitavelmente evitarão argumentos complexos que requerem atenção prolongada e escreverão de forma concisa e aos pedaços, Carr prevê.
Ele inclusive sugere um exercício para aqueles que sentem que a internet os tornou incapazes de se concentrarem: diminuam o ritmo, desliguem a web e pratiquem habilidades de contemplação, introspecção e reflexão. "É bem claro pelo que já sabemos sobre a ciência do cérebro que, se você não exercita habilidades cognitivas específicas, você acaba as perdendo. Se você se distrai facilmente, não pensará da mesma forma que pensa se você presta atenção"."



http://youtu.be/bZGRpl2h8Xo via

http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2012/12/

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

“SÓ ENTRE NÓS”, Luís Osório

“SÓ ENTRE NÓS”, Luís Osório
Chiado Editora, 2012

«Ensinaram-me há muitos anos que um bom livro é aquele que podemos sempre abrir ao acaso, porque em qualquer página, em qualquer parágrafo, encontramos sempre aquilo que procuramos.
Por isso este livro de Luís Osório é um bom livro. Abre-se e está lá a frase que nos vai tocar, a expressão que procurávamos, a palavra que nos pode salvar o dia.
Luis Osório é jornalista. De jornal, de rádio, de televisão. Os mais velhos recordam, certamente, o “Lentes de Contacto”, que foi dos melhores programas juvenis que a televisão alguma vez apresentou.
Mais recentemente, lembramo-nos todos, com certeza, do “Zapping” e do “Portugalmente”.
Mas este livro não trata de nada dessas coisas. Ou trata de tudo.
Com prefácio de Adriano Moreira, “Só Entre Nós”—constituído por pequenas crónicas, pequenos textos de reflexão– é, muito possivelmente, dos melhores livros de auto-ajuda a que podemos recorrer neste tempo de crise.
Claro que não é, nem de perto nem de longe, aquilo que vulgarmente se entende por livro de auto-ajuda, tipo, vamos-sorrir-muito-e-dar-as-mãos-e-olhar-o-nascer-do-sol e outras tretas afins. Este é, assumidamente, um livro desencantado, talvez mesmo pessimista – mas é aí que está a sua força (“é mais fácil o pessimismo. Como é mais simples libertar a raiva “).Porque é através desse sentimento que temos de procurar um caminho e ir mais longe.
“Viver”, diz o autor logo no início, “é procurar até ao fim e com o tempo perceber que as respostas que julgávamos tão certas vão-se tornando cada vez mais escassas.”
Mas é essa procura constante que dá sentido à nossa vida: “não estamos condenados à infelicidade, pensá-lo é desistir do caminho. (…) Sei que não encontrarei a felicidade, mas é na sua perseguição que encontro o melhor de mim. Sim, talvez o nosso sentido esteja na forma como não desistimos do que é impossível— quem não desiste da luz jamais encontrará a escuridão”.
É um livro que se vai lendo. Que se vai relendo. Que se sublinha. Que pede anotações nas margens. Em que se volta atrás. Em que se podem passar páginas e voltar a elas depois.
Fala-se da vida, do envelhecimento, de solidão, de dor (“a dor e o sofrimento são um tijolo importante em todas as casas que construímos”), da morte, da perda (“Que nome dás a uma mãe ou um pai que perde um filho? Que palavras usas? Em que alfabeto o procuras?”) ,dos filhos que crescem à nossa revelia(“o ruído dos nossos filhos leva-nos quase à demência, mas o barulho da sua ausência é ensurdecedor”) Fala-se de Deus e da sua procura (“vivo Deus sem necessidade de viver a religião” Fala-se muito de amor.
Mas também se fala muito da política, das cidades, das aparentemente banalidades do dia a dia, (“Não sei cozinhar. Mudar uma lâmpada só se for das de desatarraxar. Nunca guiei um carro. Nadar só de costas e mal. Montar móveis uma absoluta utopia. Um problema no esquentador é o princípio do fim do mundo”), dos lugares comuns que inundam a nossa vida – e que bem que, às vezes, eles nos fazem…
Os textos curtos facilitam a leitura. Mas damos por nós a voltar atrás muitas vezes, e a reler o que já vamos quase sabendo de cor.
Um livro a ter à cabeceira. Porque nunca se sabe.»

ALICE VIEIRA

segunda-feira, 24 de junho de 2013

«Escritores, Intelectuais, Professores.»

António Guerreiro
Público/Ípsilon, 21.Junho.2013


«Em 1971, Roland Barthes escreveu, para a revista Tel Quel, um texto a que deu o titulo: Escritores, Intelectuais, Professores. Por si só, tal título mostra como os professores foram entretanto deslocados e já não pertencem a esse mundo de outrora. Eles surgiam então ao lado de outras duas respeitáveis classes (que, aliás, também já não têm o mesmo estatuto), enquanto detentores de uma autoridade adquirida automaticamente pela parole proƒessorale. Essa modalidade de discurso, herdeira da Retórica e dotada de uma autoridade moral conferida pelo saber, não podia sobreviver às novas condições que retiraram o saber da esfera exclusiva do cânone escolar e em que o professor, obrigado a responder a novos objectivos da escola que já nada têm que ver com a sua missão original (objectivos cada vez mais políticos: retardar a entrada dos jovens na vida activa, corrigir as desigualdades sociais, substituir a educação parental, policiar os costumes, etc.), teve que começar a enfrentar tarefas policiais, psico-sociais e de animação. A fortuna de um actual ministro que chegou ao seu posto à custa da denúncia do “eduquês” deve-se ao facto de, com esse chavão, ele apontar para um desvio da escola em relação a essa missão original que, presume-se, ele achava que podia e devia ser restaurada. Entretanto, em sentido contrário a uma tal missão, os professores têm sido submetidos - sem tréguas e desde há muitos anos - ao tratamento mais ignóbil a que uma classe profissional pode estar sujeita. Se quisermos utilizar um termo genérico para designar o que lhes foi infligido (para além das “sevícias” - da parte dos alunos, da parte dos pais - a que ficaram expostos a partir do momento em que lhes foi retirado todo o domínio) temos de falar de uma progressiva, sistemática e programada proletarização. Em que é que ela consiste? Numa total perda de autonomia, até ao ponto em que a actividade do professor deixou de ser uma actividade intelectual. A partir desse momento, a autoridade do professor - que, aliás, para existir é necessário que esteja integrada num sistema que a detenha – ficou completamente arruinada. O sinal mais óbvio dessa proletarização - aquele onde ela é exibida pela máquina governamental com uma clara intenção de humilhação - é o horário de trabalho. Dantes, o trabalho do professor compreendia o tempo controlado (o tempo lectivo) e o tempo autónomo, que ninguém conseguia avaliar exactamente a quanto correspondia - dependia do treino, dos escrúpulos, da responsabilidade e do sentido de missão do próprio professor. Dai, a ideia tão repetida de que os professores gozam (gozavam) de um horário privilegiado. Agora, não só o tempo de trabalho controlado aumentou bastante, como aquilo que deveria ser tido por conta de trabalho autónomo perdeu esse estatuto porque o Ministério o passou a contabilizar no horário oficial: trinta e cinco horas de trabalho na escola, mais cinco horas de trabalho em casa. Quem alguma vez foi professor sabe bem que essas cinco horas semanais estão longe de ser suficientes. Mas pior do que fazer horas extraordinárias que não são pagas é sentir que até o pouco que resta aos professores de tempo autónomo entra na contagem diabólica do tempo controlado. O horário dos professores pode até não ter efectivamente aumentado. Mas, em termos simbólicos, chegou-se à estação terminal que diz: proletarização.»


via http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.pt/

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Hiss Golden Messenger - The Serpent Is Kind

“não guardo as falas antigas. não cruzo o tempo em queimadas. não sou de cintilações nem de estrelas nem de sulcos além do salto possível. sou mais da sombra que da cal e desta esqueci o estilhaço necessário para ler os olhos que mordem e a boca que ataca. ramos e ramos de oliveira fazem de cama aos pastores do silêncio e como nenhuma espada corta a alma do lume o caminho é de lama e de ninhos e de estações interrompidas.___________fatias de malabarismos e alguns segredos de cartão. andam descalços todos os contrastes fantasmas e anjos arredados do pulmão das horas e como guilhotinas cercam e desunham as poucas chamas. a fala é uma área ainda intacta e depois dela somos todos morrentes.”

 Isabel Mendes Ferreira

http://youtu.be/bYcezHs_n_Y

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A poética do devaneio

Este sonho em nós é mesmo nosso?
eu vou sozinho e multiplicado
serei eu mesmo, serei um outro?
somos apenas imaginados.''

http://pt.scribd.com/doc/45191110/BACHELARD-Gaston-A-poetica-do-devaneio

sábado, 18 de maio de 2013

Nietzsche


"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, excepto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.

Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o!"  (Nietzsche)

sábado, 6 de abril de 2013

Moonbeam & JSoul Life Tree

008.JPG
 
Carta de Anais Nin. 1942

“Prezado coleccionador:

Detestamo-lo. O sexo perde todo o seu poder, toda a sua magia, quando se torna explícito, abusivo, quando se torna mecanicamente obcecante. Passa a ser enfadonho.
 
Nunca conheci pessoa que melhor provasse o erro que é não se lhe juntar a emoção, a fome, o desejo, a luxúria, os caprichos, as manias, os laços pessoais, relações mais profundas, que lhe mudam a cor, o perfume, os ritmos, a intensidade.

Nem o senhor sabe o quanto perde com esse seu exame microscópico da actividade sexual e a exclusão dos outros aspectos, que são o combustível que a faz atear. Intelectual, imaginativo, romântico, emocional. Eis o que dá ao sexo as suas surpreendentes texturas, as mudanças subtis, os elementos afrodisíacos. O senhor restringe o seu mundo de sensações. Disseca-o, definha-o, tira-lhe o sangue.
Se o senhor alimentasse a sua vida sexual com todas as aventuras e excitações que o amor instiga a sensualidade, seria o homem mais poderoso do mundo. A fonte da potência sexual é a curiosidade, é a paixão. O que o senhor vê é sua débil chama a morrer de asfixia. O sexo não pode medrar na monotonia. Sem invenções, humores, sentimentos, não há surpresa na cama.
O sexo deve ter à mistura lágrimas, riso, palavras, promessas, cenas, ciúme, inveja, todos os condimentos do medo, viagens ao estrangeiro, novas caras, romances, historias, sonhos, fantasias, musica, dança, ópio, vinho. O que o senhor perde com esse periscópio na ponta do sexo, quando podia gozar de um harém de maravilhas várias e jamais repetidas! Não há dois cabelos iguais; mas o senhor não quer que desperdicemos palavras a descrever uns cabelos. Não há dois cheiros iguais; porém, se nós nos detemos com isso, o senhor exclama: “Suprimam a poesia.”
Não há duas peles de igual textura; nunca é a mesma luz, a mesma temperatura, as mesmas sombras, nunca são os mesmos gestos; porque um amante, quando animado do verdadeiro amor, é capaz de vencer séculos e séculos de ciência amorosa. Quantas mudanças de tempo, quantas variações de maturidade e de inocência, de arte e de perversidade…
Discutimos até à exaustão para saber como seria o senhor. Se fechou os sentidos à seda, à luz, à cor, ao cheiro, ao carácter, ao temperamento, deve estar nesta altura totalmente empedernido. Há tantos sentidos menores que se lançam como afluentes no rio do sexo!
Só o bater em uníssono do sexo e do coração pode provocar o êxtase.»

sábado, 9 de março de 2013

Anais Nin

anais_nin.jpg
O estranho é que juntos e sozinhos somos tão humanos, tão suave e calorosamente humanos, e na nossa escrita turbulentos, túrgidos, espectrais, febris, monstruosos; encharcados em carnalidades homoeróticas. O meu estilo esmaltado, e o teu, muscular, pelejando, arrancando faíscas um ao outro.
Anaïs Nin para Henry Miller
Louveciennes, 16 Outubro de 1932
 
O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições . Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho”
. Anais Nin .
"A vida é um processo de crescimento, uma combinação de situações que temos de atravessar. As pessoas falham quando querem eleger uma situação e permanecer nela. Esse é um tipo de morte”.
. Anais Nin .

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A urgente recuperação de monumentos

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ A urgente recuperação de monumentos, por Henrique Freire » BLOGOSFERA.S: Ler aos 16, carreira profissional melhor aos 33, por Jady Batista » ESPAÇO CRIA: A Ciência e o Desporto, num dia a não esquecer!, por Ana Lúcia Cruz » CINECLUBE DE TAVIRA: À espera da Câmara » ESPAÇO AGECAL: A AGECAL e a situação do setor cultural » PANORÂMICA.S: Mário Laginha em entrevista: Desmistificar a ideia de inacessibilidade do Jazz, por Ricardo Claro » MOMENTO.S: Feira Medieval de Silves, por Vítor Correia » ESPAÇO ALFA: Conseguindo a composição perfeita, por Mauro Rodrigues » ESPAÇO EDUCAÇÃO: Ano letivo 2012-2013: o futuro é agora! » CONTOS DE VERÃO NA RIA FORMOSA: Livros de Areia, por Pedro Jubilot » Livro.S: Leituras para a Alice, por Adriana Nogueira » PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL: Um olhar sobre o Património Cultural Imaterial de Lagoa, por Maria Luísa Francisco » ESPAÇO CULTURA: Jornadas Europeias do Património 2012 - O Futuro da Memória http://issuu.com/postaldoalgarve/docs/cultura.sul49

segunda-feira, 9 de julho de 2012

LEITURA

"A leitura, esse vício impune." [Valéry Larbaud] http://mantadehistorias.blogspot.pt/2012/05/o-mendigo-e-outros-contos-de-fernando.html

quinta-feira, 22 de março de 2012

Voo

“Tenho fulgurantes e extraordinárias recordações deste período. Até me espanta a clareza de algumas delas. Afigura-se-me hoje que esses acontecimentos ocorreram de tal modo que eu não me poderei deles esquecer nunca mais! Parecem-me feitos de propósito para serem recordados, como se pelos nossos cinco anos, muita da nossa vida futura estivesse em jogo, e o nosso modo de sentir e pensar, a nossa sensibilidade aí ficasse, definitivamente configurada. E que o resto da nossa vida seria inevitável comprovação desse facto. Para mim, foi por essa altura que comecei a ser EU, tal é por vezes a concordância de pontos de vista que esse eu pequenino aparenta ter com esse meu eu actual! E quando assim falo não me refiro em especial à história que se segue, mas a esse tempo em que a minha memória se encheu de brio e começou não só a guardar recordações como a senti-las como acontecimentos especiais”.

Teresa Beleza Vaz

(in O Voo das Levandeiras, Editorial 100, Janeiro de 2009, Gaia).

sexta-feira, 2 de março de 2012

A literatura no feminino

"Em Portugal, a literatura portuguesa está muitíssimo bem representada pelas mulheres, o que é um motivo de felicidade e de orgulho para nós, portugueses. Reparem só (na ficção): Hélia Correia, Patricia Reis, Inês Pedrosa, Cristina Carvalho, Teolinda Gersão, Agustina Bessa Luís, Maria Velho da Costa, Dulce Maria Cardoso, Teresa Cadete, Ana Teresa Pereira, Maria Manuel Viana, Luísa Costa Gomes, Cristina Norton, Julieta Monginho, Lídia Jorge, Ana Cristina Silva, Ana Nobre de Gusmão, Sónia Cravo No ensaio: Helena Vasconcelos, Rosa Maria Martelo, Maria Alzira Seixo, Teresa Cadete, Maria Filomena Molder, Patricia Soares Martins, Silvina Rodrigues, Dalila Rodrigues, Yvette Centeno, Dalila Pereira da Costa, Paula Mourão, Teresa Marques. Na poesia: Maria Teresa Horta, Ana Marques Gastão, Ana Luísa Amaral, Marília Lopes, Filipa Leal, Margarida Vale de Gato, Catarina Nunes de Almeida, Maria do Sameiro Barroso, Maria Teresa Furtado, Ana Salomé, Maria Azenha, Estela Guedes, Isabel Sá etc. Não esquecer ainda as senhoras da literatura infanto-juvenil: Margarida Fonseca Santos, Mafalda Moutinho, Inês Botelho, Luísa Ducla Soares, Maria Alberta Meneres, Maria Teresa Gonzalez, Ana Saldanha, Ana Meireles, Rita Vilela, Luísa Fortes da Cunha, Alice Vieira, etc.A lista é extensa e admirável. Parabéns às mulheres portuguesas, que, apesar das condições adversas, conseguiram ultrapassar isso e conferir dignidade à mulher.

A literatura infantil e juvenil também conta. Afinal é ela que forma leitores. Leitores que mais tarde lerão as autoras nomeadas. Alice Vieira, Margarida Fonseca Santos, Mafalda Moutinho, Inês Botelho, Luísa Ducla Soares, Maria João Lopo de Carvalho,Maria Alberta Menéres, Maria Teresa Maia Gonzalez, Ana Saldanha, Ana Meireles, Rita Vilela,Maria Azenha,Maria João Cantinho, Maria João Reynaud, Joana Matos Frias... Na Ficção: Eduarda Chiote... Na poesia: Natália Correia, Inês Lourenço, Helga Moreira, Maria Filomena Cabral... a lista continuaria"

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Lets read: Miss Peregrine's home for Peculiar Children





http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=XweSmLLCGww&feature=endscreen


http://www.youtube.com/user/thanifex?feature=watch

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Em Casa

http://cadeiraovoltaire.files.wordpress.com/2011/12/casabryson.jpg


(...)
Em Casa começa na rua, no cenário da Grande Exposição de 1850 que deixaria no Hyde Park uns portões muito cinematográficos, logo ali na entrada dos Jardins de Kensington. Os portões pertenciam a uma enorme estrutura em ferro, projectada por Joseph Paxton para albergar a exposição, e quando se chega ao fim das páginas dedicadas a este assunto aparentemente tão trivial, já é claro que Bryson não nos poupará à exibição da sua infinita sabedoria sobre todos os temas que podemos relacionar, ainda que indirectamente, com o conceito de casa. Percorrendo as várias divisões da reitoria, tropeça-se nos mistérios revelados na escavação que descobriu Skara Brae, um povoado com cinco mil anos, na relação entre os comentários maliciosos de povos estrangeiros e a aquisição de hábitos de higiene nunca antes imaginados ou na espantosa produtividade científica e literária dos clérigos anglicanos do século XIX, proporcionalmente inversa à sua vocação para guiar rebanhos de fiéis mas à qual devemos vários tratados e algumas descobertas matemáticas.

Numa incompreensível operação de marketing desajustada do seu conteúdo, Em Casa está a ser vendido como uma ‘breve história da vida privada’ quando, na verdade, é uma história sobre quase tudo, ainda por cima em registo flâneur, permitindo ao leitor saltitar entre temas com a velocidade de um browser, mas sem perder a autoridade dignificante de um grosso volume impresso. Está bem, não há referências à crise do Euro, mas de resto, está lá tudo.

Sara Figueiredo Costa
(publicado na Ler, nº108, Dez.2011)




via
http://cadeiraovoltaire.wordpress.com/2012/01/03/em-casa-breve-historia-da-vida-privada/

domingo, 8 de janeiro de 2012

Siga o seu coração

DSCN0848 (2).jpg
(Augusto Pinheiro, Paisagem com Castelo).




O coração está no “centro” do organismo humano, entre o Sistema Neurossensorial (SNS) e o Sistema Metabólico (SM). Estes dois pólos têm dinâmicas polares. O pólo superior tem uma dinâmica “estruturante” e o inferior uma dinâmica “anabolizante”. Com relação ao movimento muscular, podemos dizer que a dinâmica neuro-sensorial estimula o músculo estriado, que recebe impulso consciente (da alma e do Eu), enquanto que a dinâmica metabólica gera impulsos inconscientes (geradora do tônus) para a musculatura lisa. Já o coração é um músculo de origem sincicial, como se fosse uma mistura entre os dois anteriores e age como uma única célula, trabalhando como uma unidade sincrônica. Por isso o pensar – sentir – querer tem a ver com estes três sistemas orgânicos:
Numa fase bem precoce, em que o embrião corresponde apenas a um plano, como um “sanduíche”, o coração assume a posição acima da cabeça. Depois, quando o embrião faz a sua flexão, o coração migra para a parte do meio, no tórax. Por isso existe uma relação entre o SNC e o coração, nas descargas nervosas (somatizações) para esse órgão. O pulmão, ao contrário, origina-se da vesícula respiratória (do intestino primitivo) que migra para a caixa torácica. O coração “desce” da sua posição acima da cabeça do embrião e o pulmão “sobe” da sua posição metabólica. Devido a isso pode-se compreender as origens das várias patologias desses órgãos e tratá-las com mais eficácia. O que os filósofos ou os orientais falavam, se constata embriologicamente, na formação da Vida: Na origem havia a unidade (Deus), que gera a polaridade e desta, a trimembração.
Os antigos viam uma relação profunda existente entre o coração e a circulação, assim como a que existe entre o sol e o cosmo; mesmo Aristóteles via essa relação: “o microcosmo imitar o macrocosmo”. O próprio aurum (ouro) que é um metal nobre, era visto como um representante do sol na terra (como o coração é o microcosmo e o representante do sol no organismo). O próprio descobridor da circulação, W. Harvey, em 1628, designava a circulação como Aristóteles. Mas muito cedo também começou a idéia de que o coração seria uma bomba (em 1681, com Borelli). Outros pesquisadores, porém, contestaram essa visão mecânica da função cardíaca. J.Müller, em 1833, pesquisando embriões, observou que o sangue circula sem coração, o que levou M. Mendelson, em 1928, a propor que “o coração é um órgão secundário, o coração não é um motor, é um regulador.” Também Lorenz Oken, em 1964: “O pulsar do coração não é causa da circulação, é bem ao contrário: o coração bate em conseqüência da circulação.”
Ou seja, o coração não é uma bomba, como teimosamente a ciência atual quer impingir.
Então, como estamos vendo, é o fluxo sanguíneo que transmite o impulso ao coração e não vice-versa. Como vimos em Aristóteles, “o movimento é eterno” e portanto não tem início nem fim. Portanto, para se ter uma resposta correta, é preciso formular a pergunta correta. É errado perguntar, nesse caso: Quando começou o movimento? Porque ele não começou, é eterno, não tem começo nem fim! A pergunta certa é a seguinte: Quando o movimento sofre “estancamento?”, ou quando o coração começa a bater? Porque, como sabemos, o sangue já circula no embrião mesmo antes de nascer o coração. Portanto, a partir da formulação correta da pergunta, podemos aduzir que, primeiramente, o coração não é uma bomba, mas um órgão sensorial e “represador” (controlador do fluxo sanguíneo).
Só como curiosidade, quantos batimentos por minuto (bpm) apresentam os corações do elefante e do camundongo? Se supuséssemos o coração como uma “bomba”, logo iríamos responder que é o coração do elefante que deveria bater mais rápido para “bombear” tanto sangue num corpo mastodôntico. Mas não é isso o que ocorre. O coração do elefante “bate” 25 bpm, enquanto o coração do camundongo “bate” de 1000 a 1320 bpm.
Portanto, o coração é um músculo, e nele atua a alma (como querer, volição). No animal excitado, como no camundongo, a descarga nervosa-anímica passa pela via supra-renal, liberando a adrenalina (ou nor-adrenalina), que começa a atuar como substrato fisiológico orgânico para que a alma possa agir no músculo, principalmente no coração, que é sede orgânica do sentir. Mesmo numa taquicardia não ocorre aumento de volume sanguíneo, como primariamente poderia se justificar se fôssemos imaginar algo puramente mecânico (numa bomba), mas ocorre sim uma descarga anímica/adrenérgica que promove a taquicardia, com sístoles freqüentes. Isso ocorre na pessoa estressada e é a origem da angina pectoris e do infarto, como veremos no final deste capítulo, a título de ilustração.
Na “periferia” do corpo (nos capilares), o sangue flui espontaneamente. Pode-se bem observar isso no Paramecium, composto de uma célula: a água entra e sai do seu corpo e ele não possui uma “bomba” cardíaca. Também isso ocorre nos amphioxus, animais que não possuem coração, apenas capilares. Pode-se dizer que esses animais têm apenas “vida vegetativa”. Quando os vasos sanguíneos vão se tornando maiores, o sangue vai perdendo o fluxo, e isto não serve para o desenvolvimento da vida da alma (psíquica). Por isso existe a necessidade do coração, que é um órgão tipicamente do animal e do homem (que são possuidores de alma), cuja função precípua é “soerguer” o sangue, que se encontra submetido à gravidade, permitindo assim se ligar de novo com as “leis da periferia”, onde o sangue flui sozinho. O que ocorre na periferia do organismo? Aí vigoram as leis cósmicas não gravitacionais. É o exemplo da “tonelada” de poeira e pó que fica flutuando no ar. A poeira não tem peso “na periferia”, porque vigoram aí outras leis não terrestres, portanto; se diz que vigoram agora as leis cósmicas (periféricas, vitais ou etéricas). O mesmo ocorre na capilaridade do organismo, quando o sangue flui sozinho e vigoram as leis cósmicas-etéricas. Somente quando o sangue chega aos vasos mais calibrosos, ele cai na gravidade e perde velocidade. Há a necessidade de uma força muscular (da alma) para “soerguer” o sangue, com objetivo de “acelerá-lo”. O coração não é o responsável pela impulsão do sangue, porque a circulação acontece sem o coração, como vimos em animais pequenos, mas a sua função básica é “modificar” a circulação, é dar uma acelerada no sangue! Em animais pequenos, a alma não encarna (por isso não necessitam do coração), ao passo que em animais superiores há uma vivência psíquica (e no homem além da alma há o Eu); e a base anatômica para isso é o sistema arterial. Através da pressão sanguínea, “mede-se” a alma dentro do corpo. O trabalho tensional (gerar PA – Pressão Arterial) é 100 vezes maior do que o de impelir o sangue, já que este chega ao coração fluindo. Portanto, a finalidade do coração é produzir pressão e isso corresponde a 99% do seu trabalho. Somente 1% é responsável pelo movimento sanguíneo. Então, quase 100% são para produzir PA. E isto tem a ver com a presença da alma dentro da corporeidade: se o indivíduo está bem “encarnado” ou não. O normal que se observa é uma PA de 120×80 ou 110×70 mm Hg. A pressão baixa denota falta de entrosamento anímico dentro da corporeidade e uma pressão alta denota congestão anímica no sistema rítmico (somatização), em consequência do repuxamento anímico do metabolismo (dessomatização).
A nossa “consciência moral” só existe porque temos um órgão especial para isso, que é o coração. Através dele temos a percepção do aspecto moral, porque nele atua o Eu. Se tivéssemos um coração como o dos peixes, não teríamos uma consciência moral, porque a vida do Sentir nesses animais apenas flui (não apresentam “paradas”). A moralidade, portanto, só existe nos seres humanos, porque se necessita de um órgão cardíaco diferente dos animais. A motivação está no espiritual e por isso o coração é tão complicado. Naturalmente, como se disse, ele tem uma relação com o etérico, a alma e principalmente com o Eu. Pode-se tirar uma importante conclusão: o organismo se forma a partir da função e não de algo pré-existente, de um modelo (genético). É claro que a genética é como um alicerce, mas todo trabalho orgânico segue leis anti-econômicas. Afinal, por que imaginar todo esse esforço anti-fisiológico, complexo e desnecessário? Toda essa complicação parece mais predispor a um processo patológico. E é verdade! Por que todos os seres não seriam como os amphioxus (que não possuem coração) ou os peixes ou os tunicados? Poderemos responder com outra pergunta: Como é a vida psíquica desses animais? Como seria a vida psíquica do homem?
Para uma vida superior precisa-se de um substrato anatômico, de manter o sangue sob uma pressão, “uma dose de estresse”. Estar acordado já é estar sob a ação do sistema nervoso. A musculatura está do lado arterial (aorta), por ser ele um órgão do corpo astral (da alma). Não está do lado venoso, porque o sangue flui pela capilaridade. Portanto, o músculo cardíaco é um órgão anímico. Quando o coração envia sangue ao sistema arterial os esfíncteres pré-capilares se fecham para criar uma pressão sanguínea. A maior força exercida pelo coração é para gerar hipertonia (PA) e precisa-se disso para encarnar a alma, como já foi comentado acima. Toda emotividade sustenta-se na circulação. A polaridade anímica se encarna na circulação, como se pode ver entre o ruborecer e o empalidecer. Por isso os sentimentos estão relacionados à parte rítmica do corpo. No susto, no medo, na palidez facial do susto, o fluxo sanguíneo (pela ação da alma) é levado para a esfera cardíaca, quando o sangue “foge” da periferia. Ou, quando se fica “vermelho de vergonha”, o sangue é “repuxado para cima”, para a face, para a periferia. Portanto, temos a polaridade anímica entre
O coração é formado pelos membros superiores suprassensíveis para seu instrumento. Depois de criado, podemos modificá-lo conscientemente. Por isso o coração é o centro da vida da alma, e realiza aí uma função superior, como órgão de consciência moral, para desenvolver o sentimento. E o sentimento vive na polaridade, entre o gostar não gostar, simpatia antipatia, amor ódio, etc. O coração está entre os dois extremos: o cosmo como a abóbada do céu, que está acima das nossas cabeças e a terra, no metabolismo. Pode-se ver também o coração (o sentimento) entre a polaridade: A “coragem” (que se traduz no excesso de entusiasmo) ou o “medo de morrer”. No meio, tem-se a força do amor, que é o verdadeiro representante do coração. Não é somente a alma (o sentimento) que atua no músculo cardíaco, mas o Eu (espírito), que vive no sangue, no movimento eterno, quando se desenvolve o amor altruísta.
A. M.


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Marcos Wunderlich