"Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel...
Todos os dias é véspera de não partir nunca"
Álvaro de Campos
“Ao não exaltar aqueles que são importantes evitamos estimular a rivalidade entre os medíocres. Ao não ostentar as joias raras evitamos que sejam alvo de ladrões. Ocultar aquilo que excita o desejo dos homens faz com que eles permaneçam sem perturbações. Dessa forma, o sábio governa aos homens mergulhando suas mentes e seus corpos... na Tranquilidade; preenchendo os últimos e esvaziando os primeiros. Ele alivia o povo da angústia do conhecimento vazio e das garras do desejo desenfreado. Mas aqueles que alcançaram ao Conhecimento de Si, ensina a via da não-ação; pois que quando nos abstemos de intervir reina suprema a ordem universal.”
Em louvor da desordem. Exaltando o vinho e os seus fermentos. Em louvor dos motivos e em louvor da pura insensatez, nos sentaremos nós ouvindo este homem, atravessados pelo seu galope.
Como a uma criança, aconchegamos tudo aquilo que ele amou. Tudo o que é térreo e sujo e sorridente, e oferece o rosto de chapão à luz. Coisas que nos deslizam sob a pele disparando calor. Regendo as linhas fundamentais da vida.
Há um nó de caminhos onde este homem se pôs a esconder pólvora e sementes, calendários rurais. Dele não pode falar-se sem que se ouça a espantosa alegria. Sem que de novo bata pelos sítios o eco de um tambor.
É bem possível que a canção vele, oculta nas cidades. Que se incline nos nossos pensamentos como um espelho lunar, duro e pacífico. E sob o seu olhar nos desloquemos por entre a turbulência. E dela venha um íntimo sentido e o seu ardor nos saiba conduzir.
Pois deste homem ficou o ofício. Os meios. Sabemos de que modo se levantam as pedras sobre as pedras. Sabemos de que modo as aguçar.
Existe ainda um cordão de linguagens. Vibra teimosamente o ar, movido por sopros e até mesmo por fadigas. E a sua voz empurra e alimenta essas circulações. É o vento do sol que permanece.
o canto que se erguia na tua voz de vento era de sangue e oiro e um astro insubmisso que era menino e homem fulgurava nas águas entre fogos silvestres. Cantavas para todos os acordes da terra, os obscuros gritos e os delírios e as fúrias de uma revolta justa contra eternos vampiros. Que imensa a aventura da luz por entre as sombras! A vida convertia-se num rio incandescente e num prodígio branco o canto sobre os barcos! E o desejo tão fundo centrava-se num ponto em que atingia o uno e a claridade intacta. O canto era carícia para uma ferida extrema que era de todos nós na angústia insustentável. Mas ressurgia dela a mais fina energia ressuscitando o ser em plenitude de água e de um fogo amoroso. É já manhã cantor e o teu canto não cessa onde não há a morte e o coração começa.
Você foi o maior dos meus casos De todos os abraços O que eu nunca esqueci Você foi, dos amores que eu tive O mais complicado e o mais simples pra mim Você foi o melhor dos meus erros A mais estranha história Que alguém já escreveu E é por essas e outras Que a minha saudade faz lembrar De tudo outra vez.... Você foi A mentira sincera Brincadeira mais séria que me aconteceu Você foi O caso mais antigo O amor mais amigo que me apareceu Das lembranças que eu trago na vida Você é a saudade que eu gosto de ter Só assim sinto você bem perto de mim Outra vez Esqueci de tentar te esquecer Resolvi te querer por querer Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade Sem nada perder Você foi Toda a felicidade Você foi a maldade que só me fez bem Você foi O melhor dos meus planos E o maior dos enganos que eu pude fazer Das lembranças que eu trago na vida Você é a saudade que eu gosto de ter Só assim sinto você bem perto de mim Outra vez
Sonho
Eu tenho uma espécie de dever de dever de sonhar de sonhar sempre, pois, sendo mais que uma espectadora de mim mesma eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso. E assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho, entre luzes brandas e músicas invisíveis. Sonho impossível Sonhar mais um sonho impossível Lutar quando é fácil ceder Vencer o inimigo invencível Negar quando a regra é vender Sofrer a tortura implacável Romper a incabível prisão Voar num limite provável Tocar o inacessível chão É minha lei, é minha questão Virar este mundo, cravar este chão Não me importa saber Se é terrível demais Quantas guerras terei que vencer Por um pouco de paz E amanhã este chão que eu deixei Por meu leito e perdão Por saber que valeu Delirar e morrer de paixão E assim, seja lá como for Vai ter fim a infinita aflição E o mundo vai ver uma flor Brotar do impossível chão.
Cobre-te canalha Na mortalha Hoje o rei vai nu Os velhos tiranos De há mil anos Morrem como tu Abre uma trincheira Companheira Deita-te no chão Sempre à tua frente Viste gente Doutra condição Ergue-te ó Sol de Verão Somos nós os teus cantores Da matinal canção Ouvem-se já os rumores Ouvem-se já os clamores Ouvem-se já os tambores Livra-te do medo Que bem cedo Há-de o Sol queimar E tu camarada Põe-te em guarda Que te vão matar Venham lavradeiras Mondadeiras Deste campo em flor Venham enlaçadas De mãos dadas
Semear o amor Ergue-te ó Sol de Verão Somos nós os teus cantores Da matinal canção Ouvem-se já os rumores Ouvem-se já os clamores Ouvem-se já os tambores Venha a maré cheia Duma ideia Para nos empurrar Só um pensamento No momento Para nos despertar Eia mais um braço E outro braço Nos conduz irmão Sempre a nossa fome Nos consome Dá-me a tua mão Ergue-te ó Sol de Verão Somos nós os teus cantores Da matinal canção Ouvem-se já os rumores Ouvem-se já os clamores Ouvem-se já os tambores
http://youtu.be/DdW9e3rB3dg
Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...
II
Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...
A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...
E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...
III
A Grande Esfinge do Egito sonha pôr este papel dentro...
Escrevo - e ela aparece-me através da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pirâmides...
Escrevo - perturbo-me de ver o bico da minha pena
Ser o perfil do rei Quéops...De repente paro...
Escureceu tudo... Caio por um abismo feito de tempo...
Estou soterrado sob as pirâmides a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egito me esmaga de alto através dos traços que faço com a pena...
Ouço a Esfinge rir por dentro
O som da minha pena a correr no papel...
Atravessa o eu não poder vê-la uma mão enorme,
Varre tudo para o canto do teto que fica por detrás de mim,
E sobre o papel onde escrevo, entre ele e a pena que escreve
Jaz o cadáver do rei Queóps, olhando-me com olhos muito abertos,
E entre os nossos olhares que se cruzam corre o Nilo
E uma alegria de barcos embandeirados erra
Numa diagonal difusa
Entre mim e o que eu penso...
Funerais do rei Queóps em ouro velho e Mim!...
IV
Que pandeiretas o silêncio deste quarto!...
As paredes estão na Andaluzia...
Há danças sensuais no brilho fixo da luz...
De repente todo o espaço pára...,
Pára, escorrega, desembrulha-se...,
E num canto do teto, muito mais longe do que ele está,
Abrem mãos brancas janelas secretas
E há ramos de violetas caindo
De haver uma noite de Primavera lá foraSobre o eu estar de olhos fechados...
V
Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carroussel...
Árvores, pedras, montes, bailam parados dentro de mim...
Noite absoluta na feira iluminada, luar no dia de sol lá fora,
E as luzes todas da feira fazem ruídos dos muros do quintal...
Ranchos de raparigas de bilha à cabeça
Que passam lá fora, cheias de estar sob o sol,
Cruzam-se com grandes grupos peganhentos de gente que anda na feira,
Gente toda misturada com as luzes das barracas, com a noite e com o luar,
E os dois grupos encontram-se e penetram-se
Até formarem só um que é os dois...
A feira e as luzes das feiras e a gente que anda na feira,
E a noite que pega na feira e a levanta no ar,
Andam por cima das copas das árvores cheias de sol,
Andam visivelmente por baixo dos penedos que luzem ao sol,
Aparecem do outro lado das bilhas que as raparigas levam à cabeça,
E toda esta paisagem de primavera é a lua sobre a feira,
E toda a feira com ruídos e luzes é o chão deste dia de sol...
De repente alguém sacode esta hora dupla como numa peneira
E, misturado, o pó das duas realidades cai
Sobre as minhas mãos cheias de desenhos de portos
Com grandes naus que se vão e não pensam em voltar...
Pó de oiro branco e negro sobre os meus dedos...
As minhas mãos são os passos daquela rapariga que abandona a feira,
Sozinha e contente como o dia de hoje..
VI
O maestro sacode a batuta,
E lânguida e triste a música rompe...
Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé de um muro de quintal
Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo...
Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...
Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)
Atiro-a de encontro à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal... E a música atira com bolas
À minha infância... E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos...Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás de minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...
E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há arvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância...
E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,
Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...
Há um tempo de Desafio que está a passar por aqui! Um tempo em que as nuvens negras anunciadas podem parecer uma ameaça, mas que poderemos transformar em desejo de Águas Fecundas! Um tempo em que o Espanto pode ser afirmado e permitir ver q...ue a todos e todas chegue o desejo de Ser! Ser Animador para os que tristes se sentem, Esperançoso para os que desacreditam! Ser Disponível para os que não param! Ser Afecto para os amargos! Ser... e Ser! Precisamos de Ser a Onda que a promove a Esperança! Precisamos de Fazer Acolhimento para as gotas dispersas e Dizer-lhes que juntos faremos mais Ondas... e tantas Ondas que a Esperança deles se concretize no MAR nosso e deles e de todos! A Alegria de termos a Coragem de Desafiar-nos! A Alegria de poder construir o Futuro que é a Esperança de Todos! A Alegria é a Esperança de estarmos juntos e Sermos!
Precisamos de Ser construtores do nosso futuro. Carecemos de ter ideias novas para os novos problemas e Aplicá-las. Desejamos fazer em cada momento a tarefa de Sermos o que podemos ser: trabalhar até que nos doa o Presente, promovendo a concretização do Futuro!
Precisamos de ser Vizinhos e ser Solidários! Solidários nas Soluções! Precisamos da Conversa e da Tarefa! Precisamos de Estar com Amigos e e Ser Amigo! Precisamos de Partilhar a Ideia e o Jeito! E com a Palavra, e o Jeito da Ideia, fazer a Empresa e o Trabalho!
Não queremos ter coisas! Queremos Ser Solidários, Esperançosos, Desafiadores, Construtores de Soluções e Espantos! Queremos continuar a Ser.... MAR!
Boas Festas para todos! A Esperança pode ser Realizada por cada um e para todos! José Carlos Garrucho
Night with the eyes of a horse that trembles in the night, night with eyes of water in the field asleep is in your eyes, a horse that trembles, is in your eyes of secret water.
Eyes of shadow-water, eyes of well-water, eyes of dream-water.
Silence and solitude, two little animals moon-led, drink in your eyes, drink in those waters.
If you open your eyes, night opens, doors of musk, the secret kingdom of the water opens flowing from the center of night.
And if you close your eyes, a river fills you from within, flows forward, darkens you: night brings its wetness to beaches in your soul.
Octavio Paz, 1914-1998 (Adapted by Eric Whitacre, Translation by Muriel Rukeyser)
Thirteen Ways of Looking at a Blackbird Wallace Stevens
I Among twenty snowy mountains, The only moving thing Was the eye of the blackbird.
II I was of three minds, Like a tree In which there are three blackbirds.
III The blackbird whirled in the autumn winds. It was a small part of the pantomime.
IV A man and a woman Are one. A man and a woman and a blackbird Are one.
V I do not know which to prefer, The beauty of inflections Or the beauty of innuendoes, The blackbird whistling Or just after.
VI Icicles filled the long window With barbaric glass. The shadow of the blackbird Crossed it, to and fro. The mood Traced in the shadow An indecipherable cause.
VII O thin men of Haddam, Why do you imagine golden birds? Do you not see how the blackbird Walks around the feet Of the women about you?
VIII I know noble accents And lucid, inescapable rhythms; But I know, too, That the blackbird is involved In what I know.
IX When the blackbird flew out of sight, It marked the edge Of one of many circles.
X At the sight of blackbirds Flying in a green light, Even the bawds of euphony Would cry out sharply.
XI He rode over Connecticut In a glass coach. Once, a fear pierced him, In that he mistook The shadow of his equipage For blackbirds.
Treze modos de olhar em um Blackbird Wallace Stevens
Entre vinte montanhas nevadas, A única coisa que se deslocam Era o olho do melro.
II Eu estava entre três mentes, Como uma árvore Em que há três melros.
III O melro rodopiava no vento de outono. Foi uma pequena parte da pantomima.
IV Um homem e uma mulher São um. Um homem e uma mulher e um melro São um.
V Eu não sei o que escolher, A beleza das inflexões Ou a beleza das insinuações, O melro assobiando Ou logo após.
VI O gelo recobria a longa janela Com vidro bárbaro. A sombra do melro Cruzou-lo, para lá e para cá. o humor Traçou na sombra Uma causa indecifrável.
VII Ó finos homens de Haddam, Por que imaginais pássaros dourados? Não vedes como o melro Rondando os pés Das mulheres sobre você?
VIII Sei de nobres E lúcido, ritmos inescapáveis; Mas eu sei, também, Que o melro está envolvido No que eu sei.
IX Quando o melro voou para fora da vista, Ele marcou a borda De um dos muitos círculos.
X À vista dos melros Voando em uma luz verde, Mesmo os bawds de eufonia Clamarão fortemente.
XI Montou mais de Connecticut Em um ônibus de vidro. Uma vez, um medo traspassaram, Em que ele confundiu A sombra da carruagem Para melros.
XII O rio está se movendo. O melro deve estar voando.
XIII Era noite toda a tarde. Estava nevando E ele estava indo para a neve. O melro sab Nos membros de cedro.
XII The river is moving. The blackbird must be flying.
XIII It was evening all afternoon. It was snowing And it was going to snow. The blackbird sat In the cedar-limbs.
"O futuro do homem é o homem", estamos de acordo. Mas o homem do nosso futuro não nos interessa desfigurado. Este animal triste que nos habita há milhares de anos, cujas possibilidades estamos tão longe de conhecer, é o fruto de uma desfiguração - acção de uma cultura mais interessada em ocultar ao homem o seu rosto do que em trazê-lo, belo e tenebroso, à luz limpa do dia. É contra a ausência do homem no homem que a palavra do poeta se insurge, é contra esta amputação no corpo vivo da vida que o poeta se rebela. E se ousa "cantar no suplício" é porque não quer morrer sem se olhar nos seus próprios olhos, e reconhecer-se, e detestar-se, ou amar-se, se for caso disso, no que não creio. De Homero a S. João da Cruz, de Virgílio a Alexandre Blok, de Li Bay a William Blake, de Bashô a Kavafis, a ambição maior do fazer poético foi sempre a mesma: Ecce Homo, parece dizer cada poema.
Eugénio de Andrade,in " Afluentes do Silêncio", Editorial Inova Limitada, Dezembro 1970, trecho retirado da Fundação Eugénio de Andrade