Mostrar mensagens com a etiqueta poema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poema. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de novembro de 2013

LAGO DA TRANQUILIDADE

LAGO DA TRANQUILIDADE

“Ao não exaltar aqueles que são importantes
evitamos estimular a rivalidade entre os medíocres.
Ao não ostentar as joias raras
evitamos que sejam alvo de ladrões.
Ocultar aquilo que excita o desejo dos homens
faz com que eles permaneçam sem perturbações.
Dessa forma, o sábio governa aos homens mergulhando
suas mentes e seus corpos...

na Tranquilidade;
preenchendo os últimos
e esvaziando os primeiros.
Ele alivia o povo da angústia do conhecimento vazio
e das garras do desejo desenfreado.
Mas aqueles que alcançaram ao Conhecimento de Si,
ensina a via da não-ação;
pois que quando nos abstemos de intervir
reina suprema a ordem universal.”

(Livro de Tao Te Ching)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

JOSÉ AFONSO


Em louvor da desordem.
Exaltando
o vinho e os seus fermentos.
Em louvor dos motivos
e em louvor
da pura insensatez,
nos sentaremos nós ouvindo este homem,
atravessados pelo seu galope.

Como a uma criança, aconchegamos tudo aquilo que ele amou.
Tudo o que é térreo
e sujo
e sorridente,
e oferece o rosto
de chapão à luz.
Coisas que nos deslizam sob a pele disparando calor.
Regendo as linhas
fundamentais da vida.

Há um nó de caminhos onde este homem
se pôs a esconder pólvora e sementes,
calendários rurais.
Dele não pode falar-se sem que se ouça
a espantosa alegria.
Sem que de novo bata pelos sítios
o eco de um tambor.

É bem possível
que a canção vele, oculta nas cidades.
Que se incline nos nossos pensamentos
como um espelho lunar,
duro e pacífico.
E sob o seu olhar nos desloquemos
por entre a turbulência.
E dela venha um íntimo sentido
e o seu ardor nos saiba
conduzir.

Pois deste homem ficou o ofício.
Os meios.
Sabemos de que modo se levantam
as pedras sobre as pedras.
Sabemos de que modo
as aguçar.

Existe ainda
um cordão de linguagens.
Vibra teimosamente o ar, movido por sopros
e até mesmo
por fadigas.
E a sua voz empurra e alimenta essas circulações.
É o vento do sol
que permanece.

Hélia Correia

PARA JOSÉ AFONSO

o canto que se erguia
na tua voz de vento
era de sangue e oiro
e um astro insubmisso
que era menino e homem
fulgurava nas águas
entre fogos silvestres.
Cantavas para todos
os acordes da terra,
os obscuros gritos
e os delírios e as fúrias
de uma revolta justa
contra eternos vampiros.
Que imensa a aventura
da luz por entre as sombras!
A vida convertia-se
num rio incandescente
e num prodígio branco
o canto sobre os barcos!
E o desejo tão fundo
centrava-se num ponto
em que atingia o uno
e a claridade intacta.
O canto era carícia
para uma ferida extrema
que era de todos nós
na angústia insustentável.
Mas ressurgia dela
a mais fina energia
ressuscitando o ser
em plenitude de água
e de um fogo amoroso.
É já manhã cantor
e o teu canto não cessa
onde não há a morte
e o coração começa.


 António ramos Rosa

terça-feira, 2 de julho de 2013

Maria Bethânia - Outra vez



Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi, dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar
De tudo outra vez....

Você foi
A mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi
O caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder

Você foi
Toda a felicidade

Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez




Sonho

Eu tenho uma espécie de dever
de dever de sonhar
de sonhar sempre,
pois, sendo mais que uma espectadora de mim mesma
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas,
invento palco, cenário
para viver o meu sonho,
entre luzes brandas e músicas invisíveis.
Sonho impossível

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição

E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.


http://youtu.be/swTAna21X3g************http://youtu.be/lDXtskH298k

sábado, 30 de março de 2013

Zeca Afonso - Coro da Primavera

Cobre-te canalha
Na mortalha
Hoje o rei vai nu
Os velhos tiranos
De há mil anos
Morrem como tu
Abre uma trincheira
Companheira
Deita-te no chão
Sempre à tua frente
Viste gente
Doutra condição
Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores
Livra-te do medo
Que bem cedo
Há-de o Sol queimar
E tu camarada
Põe-te em guarda
Que te vão matar
Venham lavradeiras
Mondadeiras
Deste campo em flor
Venham enlaçadas
De mãos dadas

Semear o amor
Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores

Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores
Venha a maré cheia
Duma ideia
Para nos empurrar
Só um pensamento
No momento
Para nos despertar
Eia mais um braço
E outro braço
Nos conduz irmão
Sempre a nossa fome
Nos consome
Dá-me a tua mão
Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores
http://youtu.be/DdW9e3rB3dg

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CHUVA OBLÍQUA


I

Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...



II



Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...
A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...
E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...



III



A Grande Esfinge do Egito sonha pôr este papel dentro...
Escrevo - e ela aparece-me através da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pirâmides...
Escrevo - perturbo-me de ver o bico da minha pena
Ser o perfil do rei Quéops...
De repente paro...
Escureceu tudo... Caio por um abismo feito de tempo...
Estou soterrado sob as pirâmides a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egito me esmaga de alto através dos traços que faço com a pena...
Ouço a Esfinge rir por dentro
O som da minha pena a correr no papel...
Atravessa o eu não poder vê-la uma mão enorme,
Varre tudo para o canto do teto que fica por detrás de mim,
E sobre o papel onde escrevo, entre ele e a pena que escreve
Jaz o cadáver do rei Queóps, olhando-me com olhos muito abertos,
E entre os nossos olhares que se cruzam corre o Nilo
E uma alegria de barcos embandeirados erra
Numa diagonal difusa
Entre mim e o que eu penso...
Funerais do rei Queóps em ouro velho e Mim!...



IV



Que pandeiretas o silêncio deste quarto!...
As paredes estão na Andaluzia...
Há danças sensuais no brilho fixo da luz...
De repente todo o espaço pára...,
Pára, escorrega, desembrulha-se...,
E num canto do teto, muito mais longe do que ele está,
Abrem mãos brancas janelas secretas
E há ramos de violetas caindo
De haver uma noite de Primavera lá fora
Sobre o eu estar de olhos fechados...



V



Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carroussel...
Árvores, pedras, montes, bailam parados dentro de mim...
Noite absoluta na feira iluminada, luar no dia de sol lá fora,
E as luzes todas da feira fazem ruídos dos muros do quintal...
Ranchos de raparigas de bilha à cabeça
Que passam lá fora, cheias de estar sob o sol,
Cruzam-se com grandes grupos peganhentos de gente que anda na feira,
Gente toda misturada com as luzes das barracas, com a noite e com o luar,
E os dois grupos encontram-se e penetram-se
Até formarem só um que é os dois...
A feira e as luzes das feiras e a gente que anda na feira,
E a noite que pega na feira e a levanta no ar,
Andam por cima das copas das árvores cheias de sol,
Andam visivelmente por baixo dos penedos que luzem ao sol,
Aparecem do outro lado das bilhas que as raparigas levam à cabeça,
E toda esta paisagem de primavera é a lua sobre a feira,
E toda a feira com ruídos e luzes é o chão deste dia de sol...
De repente alguém sacode esta hora dupla como numa peneira
E, misturado, o pó das duas realidades cai
Sobre as minhas mãos cheias de desenhos de portos
Com grandes naus que se vão e não pensam em voltar...
Pó de oiro branco e negro sobre os meus dedos...
As minhas mãos são os passos daquela rapariga
que abandona a feira,
Sozinha e contente como o dia de hoje..



VI



O maestro sacode a batuta,
E lânguida e triste a música rompe...
Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé de um muro de quintal
Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo...
Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...
Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)
Atiro-a de encontro à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal... E a música atira com bolas
À minha infância... E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos...
Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás de minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...
E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há arvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância...
E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,
Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...





via

http://www.luso-poemas.net/




http://youtu.be/NUh0i7tJpTk

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Sei que o homem lavava os cabelos como se fossem longos
Porque tinha uma mulher no pensamento
Sei que os lavava como se os contasse

Sei que os enxugava com a luz da mulher
Com os seus olhos muito claros voltados para o centro
Do amor, na operação poderosa
Do amor

Sei que cortava os cabelos para procurá-la
Sei que a mulher ia perdendo os vestidos cortados

Era um homem imaginado no coração da mulher que lavava
O cabelo no seu sangue

Na água corrente

Era um homem inclinado como o pescador nas margens para ouvir
E a mulher cantava para o homem respirar

Daniel Faria

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Documentário Manuel António Pina from Terra Líquida Filmes on Vimeo.



(...)

"Ou será que, uma vez mais, o preconceito sai derrotado pela realidade?"


via
http://tantaspaginas.wordpress.com/

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ode à cebola

cebola7.jpg


Cebola

Luminosa redoma

pétala a pétala

cresceu a tua formosura

escamas de cristal te acrescentaram

e no segredo da terra escura

se foi arredondando o teu ventre de orvalho.

Sob a terra

foi o milagre

e quando apareceu

o teu rude caule verde

e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,

a terra acumulou o seu poderio

mostrando a tua nua transparência,

e como em Afrodite o mar remoto

duplicou a magnólia

levantando os seus seios,

a terraassim te fez

cebola

clara como um planeta

a reluzir,

constelação constante,

redonda rosa de água,

sobre

a mesa

das gentes pobres.



Generosa

desfazes

o teu globo de frescura

na consumação

fervente da frigideira

e os estilhaços de cristal

no calor inflamado do azeite

transformam-se em frisadas plumas de ouro.



Também recordarei como fecunda

a tua influência, o amor, na salada

e parece que o céu contribui

dando-te fina forma de granizo

a celebrar a tua claridade picada

sobre os hemisférios de um tomate.

Mas ao alcance

das mãos do povo

regada com azeite

polvilhada

com um pouco de sal,

matas a fome

do jornaleiro no seu duro caminho.

Estrela dos pobres,

fada madrinha

envolvida em delicado

papel, sais do chão

eterna, intacta, pura

como semente de um astro

e ao cortar-te

a faca na cozinha

sobe a única

lágrima sem pena.

Fizeste-nos chorar sem nos afligir.



Eu tudo o que existe celebrei, cebola

mas para mim és

mais formosa que uma ave

de penas radiosas

és para os meus olhos

globo celeste, taça de platina

baile imóvel

de nívea anémona



e vive a fragância da Terra

na tua natureza cristalina.







Pablo Neruda



http://www.eldigoras.com/eom03/2004/2/30neruda1918.htm

Omer B. Washington

I've learnt that you cannot make someone love you.
All you can do is be someone who can be loved.
The rest is up to them.



I’ve learned that no matter how much I care,
some people just don’t care back.



I’ve learned that it takes years to build up trust
and only seconds to destroy it.



I’ve learned that it’s not what you have in your life
but who you have in your life that counts.



...



I’ve learned that you should always have loved ones with loving words.
It may be the last time you’ll see them.



I’ve learned that just because someone doesn’t love you the way you want them to
doesn’t mean they don’t love you with all they have.



I’ve learned that no matter how good a friend is,
they’re going to hurt you every once in a while
and you must forgive them for that.



...



I’ve learned to love
and be loved.
I’ve learned…



(Poem by Omer B. Washington)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"Há um Tempo"

Há um tempo de Desafio que está a passar por aqui!
Um tempo em que as nuvens negras anunciadas podem parecer uma ameaça, mas que poderemos transformar em desejo de Águas Fecundas!
Um tempo em que o Espanto pode ser afirmado e permitir ver q...ue a todos e todas chegue o desejo de Ser! Ser Animador para os que tristes se sentem, Esperançoso para os que desacreditam! Ser Disponível para os que não param! Ser Afecto para os amargos! Ser... e Ser!
Precisamos de Ser a Onda que a promove a Esperança!
Precisamos de Fazer Acolhimento para as gotas dispersas e Dizer-lhes que juntos faremos mais Ondas... e tantas Ondas que a Esperança deles se concretize no MAR nosso e deles e de todos!
A Alegria de termos a Coragem de Desafiar-nos!
A Alegria de poder construir o Futuro que é a Esperança de Todos!
A Alegria é a Esperança de estarmos juntos e Sermos!

Precisamos de Ser construtores do nosso futuro. Carecemos de ter ideias novas para os novos problemas e Aplicá-las. Desejamos fazer em cada momento a tarefa de Sermos o que podemos ser: trabalhar até que nos doa o Presente, promovendo a concretização do Futuro!

Precisamos de ser Vizinhos e ser Solidários! Solidários nas Soluções!
Precisamos da Conversa e da Tarefa! Precisamos de Estar com Amigos e e Ser Amigo!
Precisamos de Partilhar a Ideia e o Jeito! E com a Palavra, e o Jeito da Ideia, fazer a Empresa e o Trabalho!

Não queremos ter coisas!
Queremos Ser Solidários, Esperançosos, Desafiadores, Construtores de Soluções e Espantos!
Queremos continuar a Ser.... MAR!

Boas Festas para todos!
A Esperança pode ser Realizada por cada um e para todos!


José Carlos Garrucho

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Water Night

Water Night

Night with the eyes of a horse that trembles in the night,
night with eyes of water in the field asleep
is in your eyes, a horse that trembles,
is in your eyes of secret water.

Eyes of shadow-water,
eyes of well-water,
eyes of dream-water.

Silence and solitude,
two little animals moon-led,
drink in your eyes,
drink in those waters.

If you open your eyes,
night opens, doors of musk,
the secret kingdom of the water opens
flowing from the center of night.

And if you close your eyes,
a river fills you from within,
flows forward, darkens you:
night brings its wetness to beaches in your soul.

Octavio Paz, 1914-1998
(Adapted by Eric Whitacre, Translation by Muriel Rukeyser)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

13 Ways of Looking at a Blackbird



Thirteen Ways of Looking at a Blackbird
Wallace Stevens

I
Among twenty snowy mountains,
The only moving thing
Was the eye of the blackbird.

II
I was of three minds,
Like a tree
In which there are three blackbirds.

III
The blackbird whirled in the autumn winds.
It was a small part of the pantomime.

IV
A man and a woman
Are one.
A man and a woman and a blackbird
Are one.

V
I do not know which to prefer,
The beauty of inflections
Or the beauty of innuendoes,
The blackbird whistling
Or just after.

VI
Icicles filled the long window
With barbaric glass.
The shadow of the blackbird
Crossed it, to and fro.
The mood
Traced in the shadow
An indecipherable cause.

VII
O thin men of Haddam,
Why do you imagine golden birds?
Do you not see how the blackbird
Walks around the feet
Of the women about you?

VIII
I know noble accents
And lucid, inescapable rhythms;
But I know, too,
That the blackbird is involved
In what I know.

IX
When the blackbird flew out of sight,
It marked the edge
Of one of many circles.

X
At the sight of blackbirds
Flying in a green light,
Even the bawds of euphony
Would cry out sharply.

XI
He rode over Connecticut
In a glass coach.
Once, a fear pierced him,
In that he mistook
The shadow of his equipage
For blackbirds.


Treze modos de olhar em um Blackbird
Wallace Stevens

Entre vinte montanhas nevadas,
A única coisa que se deslocam
Era o olho do melro.

II
Eu estava entre três mentes,
Como uma árvore
Em que há três melros.

III
O melro rodopiava no vento de outono.
Foi uma pequena parte da pantomima.

IV
Um homem e uma mulher
São um.
Um homem e uma mulher e um melro
São um.

V
Eu não sei o que escolher,
A beleza das inflexões
Ou a beleza das insinuações,
O melro assobiando
Ou logo após.

VI
O gelo recobria a longa janela
Com vidro bárbaro.
A sombra do melro
Cruzou-lo, para lá e para cá.
o humor
Traçou na sombra
Uma causa indecifrável.

VII
Ó finos homens de Haddam,
Por que imaginais pássaros dourados?
Não vedes como o melro
Rondando os pés
Das mulheres sobre você?

VIII
Sei de nobres
E lúcido, ritmos inescapáveis​​;
Mas eu sei, também,
Que o melro está envolvido
No que eu sei.

IX
Quando o melro voou para fora da vista,
Ele marcou a borda
De um dos muitos círculos.

X
À vista dos melros
Voando em uma luz verde,
Mesmo os bawds de eufonia
Clamarão fortemente.

XI
Montou mais de Connecticut
Em um ônibus de vidro.
Uma vez, um medo traspassaram,
Em que ele confundiu
A sombra da carruagem
Para melros.

XII
O rio está se movendo.
O melro deve estar voando.

XIII
Era noite toda a tarde.
Estava nevando
E ele estava indo para a neve.
O melro sab
Nos membros de cedro.

XII
The river is moving.
The blackbird must be flying.

XIII
It was evening all afternoon.
It was snowing
And it was going to snow.
The blackbird sat
In the cedar-limbs.


A Poem By Wallace Stevens

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

POEMA À MÃE

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não encheces as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha – queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda ouço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio do laranjal...

Mas – tu sabes – a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.


Eugénio de andrade
Póvoa de Atalaia, 1923-2005

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Fernando Pessoa

Sim, sei bem Que nunca serei alguém. Sei de sobra Que nunca terei uma obra. Sei, enfim, Que nunca saberei de mim. Sim, mas agora, Enquanto dura esta hora, Este luar, estes ramos, Esta paz em que estamos, Deixem-me crer O que nunca poderei ser. Fernando Pessoa http://www.imc-ip.pt/ http://www.gulbenkian.pt/section108langId1.html http://www.gulbenkian.pt/media/files/FTP_files/NL/NL122/index.html

sábado, 19 de março de 2011

Eugénio de Andrade

Poética
Texto ou Antologia para Prosa

"O futuro do homem é o homem", estamos de acordo. Mas o homem do nosso futuro não nos interessa desfigurado. Este animal triste que nos habita há milhares de anos, cujas possibilidades estamos tão longe de conhecer, é o fruto de uma desfiguração - acção de uma cultura mais interessada em ocultar ao homem o seu rosto do que em trazê-lo, belo e tenebroso, à luz limpa do dia. É contra a ausência do homem no homem que a palavra do poeta se insurge, é contra esta amputação no corpo vivo da vida que o poeta se rebela. E se ousa "cantar no suplício" é porque não quer morrer sem se olhar nos seus próprios olhos, e reconhecer-se, e detestar-se, ou amar-se, se for caso disso, no que não creio. De Homero a S. João da Cruz, de Virgílio a Alexandre Blok, de Li Bay a William Blake, de Bashô a Kavafis, a ambição maior do fazer poético foi sempre a mesma: Ecce Homo, parece dizer cada poema.


Eugénio de Andrade,in " Afluentes do Silêncio", Editorial Inova Limitada, Dezembro 1970, trecho retirado da Fundação Eugénio de Andrade



http://www.fundacaoeugenioandrade.pt/prosa_c.htm

via
http://sonhar1000.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de março de 2011