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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

TEMPO DE POESIA


TEMPO DE POESIA

Todo o tempo é de poesia

Desde a névoa da manhã
à névoa do outo dia.
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia

Todo o tempo é de poesia

Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas que a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.

António Gedeão

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Poema do Coração

"Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,


e também a Bondade, e a Sinceridade,


e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração


Então poderia dizer-vos:


"Meus amados irmãos, falo-vos do coração",


ou então:


"com o coração nas mãos".


Mas o meu coração é como o dos compêndios


Tem duas válvulas ( a tricúspide e a mitral)


e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).


O sangue a circular contrai-os e distende-os


segundo a obrigação das leis dos movimentos.


Por vezes acontece


ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados


e uma lâmina baça e agreste, que endurece


a luz nos olhos em bisel cortados.


Parece então que o coração estremece.


Mas não.


Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,


que esse vento que sopra e ateia os incêndios,


é coisa do simpático.


Vem tudo nos compêndios.
Então meninos! Vamos à lição!


Em quantas partes se divide o coração?"

António Gedeão - Poemas

via
http://www.docaosaocosmos.blogspot.com/