"Na véspera de não partir nunca Ao menos não há que arrumar malas Nem que fazer planos em papel... Todos os dias é véspera de não partir nunca" Álvaro de Campos
segunda-feira, 24 de junho de 2013
«Escritores, Intelectuais, Professores.»
António Guerreiro
Público/Ípsilon, 21.Junho.2013
«Em 1971, Roland Barthes escreveu, para a revista Tel Quel, um texto a que deu o titulo: Escritores, Intelectuais, Professores. Por si só, tal título mostra como os professores foram entretanto deslocados e já não pertencem a esse mundo de outrora. Eles surgiam então ao lado de outras duas respeitáveis classes (que, aliás, também já não têm o mesmo estatuto), enquanto detentores de uma autoridade adquirida automaticamente pela parole proƒessorale. Essa modalidade de discurso, herdeira da Retórica e dotada de uma autoridade moral conferida pelo saber, não podia sobreviver às novas condições que retiraram o saber da esfera exclusiva do cânone escolar e em que o professor, obrigado a responder a novos objectivos da escola que já nada têm que ver com a sua missão original (objectivos cada vez mais políticos: retardar a entrada dos jovens na vida activa, corrigir as desigualdades sociais, substituir a educação parental, policiar os costumes, etc.), teve que começar a enfrentar tarefas policiais, psico-sociais e de animação. A fortuna de um actual ministro que chegou ao seu posto à custa da denúncia do “eduquês” deve-se ao facto de, com esse chavão, ele apontar para um desvio da escola em relação a essa missão original que, presume-se, ele achava que podia e devia ser restaurada. Entretanto, em sentido contrário a uma tal missão, os professores têm sido submetidos - sem tréguas e desde há muitos anos - ao tratamento mais ignóbil a que uma classe profissional pode estar sujeita. Se quisermos utilizar um termo genérico para designar o que lhes foi infligido (para além das “sevícias” - da parte dos alunos, da parte dos pais - a que ficaram expostos a partir do momento em que lhes foi retirado todo o domínio) temos de falar de uma progressiva, sistemática e programada proletarização. Em que é que ela consiste? Numa total perda de autonomia, até ao ponto em que a actividade do professor deixou de ser uma actividade intelectual. A partir desse momento, a autoridade do professor - que, aliás, para existir é necessário que esteja integrada num sistema que a detenha – ficou completamente arruinada. O sinal mais óbvio dessa proletarização - aquele onde ela é exibida pela máquina governamental com uma clara intenção de humilhação - é o horário de trabalho. Dantes, o trabalho do professor compreendia o tempo controlado (o tempo lectivo) e o tempo autónomo, que ninguém conseguia avaliar exactamente a quanto correspondia - dependia do treino, dos escrúpulos, da responsabilidade e do sentido de missão do próprio professor. Dai, a ideia tão repetida de que os professores gozam (gozavam) de um horário privilegiado. Agora, não só o tempo de trabalho controlado aumentou bastante, como aquilo que deveria ser tido por conta de trabalho autónomo perdeu esse estatuto porque o Ministério o passou a contabilizar no horário oficial: trinta e cinco horas de trabalho na escola, mais cinco horas de trabalho em casa. Quem alguma vez foi professor sabe bem que essas cinco horas semanais estão longe de ser suficientes. Mas pior do que fazer horas extraordinárias que não são pagas é sentir que até o pouco que resta aos professores de tempo autónomo entra na contagem diabólica do tempo controlado. O horário dos professores pode até não ter efectivamente aumentado. Mas, em termos simbólicos, chegou-se à estação terminal que diz: proletarização.»
via http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.pt/
Público/Ípsilon, 21.Junho.2013
«Em 1971, Roland Barthes escreveu, para a revista Tel Quel, um texto a que deu o titulo: Escritores, Intelectuais, Professores. Por si só, tal título mostra como os professores foram entretanto deslocados e já não pertencem a esse mundo de outrora. Eles surgiam então ao lado de outras duas respeitáveis classes (que, aliás, também já não têm o mesmo estatuto), enquanto detentores de uma autoridade adquirida automaticamente pela parole proƒessorale. Essa modalidade de discurso, herdeira da Retórica e dotada de uma autoridade moral conferida pelo saber, não podia sobreviver às novas condições que retiraram o saber da esfera exclusiva do cânone escolar e em que o professor, obrigado a responder a novos objectivos da escola que já nada têm que ver com a sua missão original (objectivos cada vez mais políticos: retardar a entrada dos jovens na vida activa, corrigir as desigualdades sociais, substituir a educação parental, policiar os costumes, etc.), teve que começar a enfrentar tarefas policiais, psico-sociais e de animação. A fortuna de um actual ministro que chegou ao seu posto à custa da denúncia do “eduquês” deve-se ao facto de, com esse chavão, ele apontar para um desvio da escola em relação a essa missão original que, presume-se, ele achava que podia e devia ser restaurada. Entretanto, em sentido contrário a uma tal missão, os professores têm sido submetidos - sem tréguas e desde há muitos anos - ao tratamento mais ignóbil a que uma classe profissional pode estar sujeita. Se quisermos utilizar um termo genérico para designar o que lhes foi infligido (para além das “sevícias” - da parte dos alunos, da parte dos pais - a que ficaram expostos a partir do momento em que lhes foi retirado todo o domínio) temos de falar de uma progressiva, sistemática e programada proletarização. Em que é que ela consiste? Numa total perda de autonomia, até ao ponto em que a actividade do professor deixou de ser uma actividade intelectual. A partir desse momento, a autoridade do professor - que, aliás, para existir é necessário que esteja integrada num sistema que a detenha – ficou completamente arruinada. O sinal mais óbvio dessa proletarização - aquele onde ela é exibida pela máquina governamental com uma clara intenção de humilhação - é o horário de trabalho. Dantes, o trabalho do professor compreendia o tempo controlado (o tempo lectivo) e o tempo autónomo, que ninguém conseguia avaliar exactamente a quanto correspondia - dependia do treino, dos escrúpulos, da responsabilidade e do sentido de missão do próprio professor. Dai, a ideia tão repetida de que os professores gozam (gozavam) de um horário privilegiado. Agora, não só o tempo de trabalho controlado aumentou bastante, como aquilo que deveria ser tido por conta de trabalho autónomo perdeu esse estatuto porque o Ministério o passou a contabilizar no horário oficial: trinta e cinco horas de trabalho na escola, mais cinco horas de trabalho em casa. Quem alguma vez foi professor sabe bem que essas cinco horas semanais estão longe de ser suficientes. Mas pior do que fazer horas extraordinárias que não são pagas é sentir que até o pouco que resta aos professores de tempo autónomo entra na contagem diabólica do tempo controlado. O horário dos professores pode até não ter efectivamente aumentado. Mas, em termos simbólicos, chegou-se à estação terminal que diz: proletarização.»
via http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.pt/
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Bach - Cantate BWV 122 - little child
“Revorta é ter-se nascido/Sem descobrir o sentido/do que nos
há-de matar”. Natália Correia
Jean-Sébastien Bach - Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Pintura: La Nativité (Piero della Francesca)
http://youtu.be/N9XObSQXXII
Billy Elliot Soundtrack 'We Love To Boogie'
"Eu amo os homens que sabem viver como que se extinguindo, porque são esses os que atravessam de um para outro lado.”Frederico Nietzsche
Nietzsche
Billy Elliot Soundtrack
We love to boogie, we love to boogie
Jitterbug boogie, Bolan pretty boogie
We love to boogie on a Saturday night
Belinda Mae Fender's got a Cadillac Bone
Jenny's lost her cherry walking
all the way home
The passions of the Earth blasted it's mind
Now it's neat sweet ready for
the moon based grind
We love to boogie
We love to boogie on a Saturday night
We love to boogie
High school boogie, jitterbug boogie
We love to boogie on a Saturday night
You rattlesnake out with your tailfeathers high
Jitterbug left and smile to the sky
With your black velvet cape
We love to boogie, we love to boogie
Jitterbug boogie, Bolan pretty boogie
We love to boogie on a Saturday night
and your stovepipe hat
Be-bop baby the dance is where it's at
I love to boogie
Yes I love to boogie on a Saturday night
I said I love to boogie, I love to boogie
Jitterbug boogie, I love to boogie
I love to boogie on a Saturday night
I love to boogie
http://www.clubeacademico.com.br/Filosofia/friedrich%20nietzsche/assim%20falava%20zaratustra.pdf http://youtu.be/u-U57kCK20U
Nietzsche
Billy Elliot Soundtrack
We love to boogie, we love to boogie
Jitterbug boogie, Bolan pretty boogie
We love to boogie on a Saturday night
Belinda Mae Fender's got a Cadillac Bone
Jenny's lost her cherry walking
all the way home
The passions of the Earth blasted it's mind
Now it's neat sweet ready for
the moon based grind
We love to boogie
We love to boogie on a Saturday night
We love to boogie
High school boogie, jitterbug boogie
We love to boogie on a Saturday night
You rattlesnake out with your tailfeathers high
Jitterbug left and smile to the sky
With your black velvet cape
We love to boogie, we love to boogie
Jitterbug boogie, Bolan pretty boogie
We love to boogie on a Saturday night
and your stovepipe hat
Be-bop baby the dance is where it's at
I love to boogie
Yes I love to boogie on a Saturday night
I said I love to boogie, I love to boogie
Jitterbug boogie, I love to boogie
I love to boogie on a Saturday night
I love to boogie
http://www.clubeacademico.com.br/Filosofia/friedrich%20nietzsche/assim%20falava%20zaratustra.pdf http://youtu.be/u-U57kCK20U
Hiss Golden Messenger - The Serpent Is Kind
“não guardo as falas antigas. não cruzo o tempo em queimadas. não sou de cintilações nem de estrelas nem de sulcos além do salto possível. sou mais da sombra que da cal e desta esqueci o estilhaço necessário para ler os olhos que mordem e a boca que ataca. ramos e ramos de oliveira fazem de cama aos pastores do silêncio e como nenhuma espada corta a alma do lume o caminho é de lama e de ninhos e de estações interrompidas.___________fatias de malabarismos e alguns segredos de cartão. andam descalços todos os contrastes fantasmas e anjos arredados do pulmão das horas e como guilhotinas cercam e desunham as poucas chamas. a fala é uma área ainda intacta e depois dela somos todos morrentes.”
Isabel Mendes Ferreira
http://youtu.be/bYcezHs_n_Y
Isabel Mendes Ferreira
http://youtu.be/bYcezHs_n_Y
terça-feira, 28 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
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