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segunda-feira, 18 de abril de 2011

sábado, 26 de março de 2011

A forma justa

anjo





A forma justa

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo


Sophia de Mello Breyner Andresen
in O Nome das Coisas

via
http://aluaflutua.blogspot.com/

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mar sonoro



Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente e tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu sonho
Seres um milagre criado só para mim.


Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Dia do Mar”

Há muito...



"Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa"

in, Há muito (Sophia de Mello Breyner Andresen)